S. João da Cruz

(1542 - 1591)

       Celebra-se este ano (2016) o 425º aniversário da sua morte ocorrida em 14 de Dezembro de 1591. Por este motivo, queremos assinalar esta data dando a conhecer um pouco da figura e espiritualidade do Santo carmelita descalço, companheiro de Sta. Teresa de Jesus na Reforma da Ordem. 

       Não há melhor forma de o conhecer do que acercar-se directamente aos seus escritos espirituais, pois é lendo-o que se percebe toda a profundidade aí contida.

       Da sua figura e personalidade foi feita esta belíssima descrição:

       «Os olhos trazia sempre cheios de luz e de pureza...;

       O semblante era todo boa graça...;

       As palavras a ninguém ofendiam, a todos melhoravam...;

       Era tal a doçura com que falava de Deus

       que afervorava e recolhia os ânimos

dos que o ouviam...;

       Vê-lo era paz,

       falar-lhe, aproveitamento,

       ouvi-lo, consolação e renovação de espírito...!»

         (descrição do Santo feita nas Actas do Capítulo realizado em Lisboa em 1585)

BEATIFICADO POR CLEMENTE X

em 25 de Janeiro de 1675

CANONIZADO POR BENTO XIII

em 26 de Dezembro de 1726

DECLARADO DOUTOR DA IGREJA UNIVERSAL POR PIO XI

em 24 de Agosto de 1926

«... No correr dos tempos alcançou João, depois da morte em 1591, tanta autoridade na Mística, que logo o escolheram para mestre de santidade e piedade os escritores da ciência sagrada e os varões virtuosos e, em sua doutrina e escritos, como em fonte cristalina do sentido cristão e espírito da Igreja, hauriram sua inspiração os que trataram de coisas espirituais...»

                                                                                                                                                                    (Pio XI - Letras Apostólicas de 24 - VII - 1926)

PALAVRA DO SANTO

Aonde Te escondeste,

Amado, e me deixaste num gemido?

Qual veado fugiste

havendo-me ferido.

Atrás de Ti clamei, tinhas partido!

(...) Ó Verbo, meu Esposo, mostra-me o lugar onde estás escondido! Deste modo, (a alma) está a pedir que lhe mostre a Sua essência divina, porque o lugar onde o Filho de Deus está escondido é, como diz S. João, o seio do Pai (Jo. 1, 18), que é a essência divina, a qual permanece longe dos olhos mortais e escondida a todo o entendimento humano. (...) É por isso que convém sempre à alma tê-l'O por escondido e buscá-l'O como escondido, dizendo: Aonde Te escondeste?

(...) É necessário advertir que o Verbo, o filho de Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, está escondido, essencial e presencialmente, no mais íntimo ser da alma. Portanto, para O encontrar há-de abandonar tudo, quer no afecto, quer na vontade, e recolher-se ao máximo dentro de si mesma... É ali que o bom contemplativo O há-de procurar com amor, dizendo: Aonde Te escondeste?

Portanto, ó alma formosíssima entre todas as criaturas, que tanto desejas saber onde está o teu Amado para te encontrares e unires a Ele, já te foi dito que tu mesma és o aposento onde Ele mora, o refúgio e o esconderijo onde Se oculta. Oxalá seja motivo de grande consolação e alegria para ti reconhecer que todo o teu bem e esperança se encontram tão perto de ti, melhor dizendo, tão dentro de ti que já não podes existir sem Ele.

E, se é uma grande consolação para a alma saber que Deus nunca a abandona, mesmo quando em pecado mortal, quanto mais não o será para a que vive em graça! Então, ó alma, o que é que desejas e procuras fora de ti, se é em ti que estão as tuas riquezas, as tuas delícias, a tua consolação, a tua riqueza e o teu reino, ou seja, o teu Amado, que a tua alma tanto deseja e procura! E, já que O tens tão perto, goza e alegra-te com Ele no teu recolhimento interior.

                                                                                                                  Cântico Espiritual, canção I

Onde se esconde - CD Deixa-te amar I - João Rego OCD
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Escute e ore...

Sta. Teresa de Jesus (Ávila)
(1515 - 1582)

        Sta. Teresa de Ávila mantém toda a sua actualidade, apesar de 500 anos volvidos do seu nascimento (1515 - 2015), graças à profundidade espiritual dos seus escritos.

       Lida e apreciada pelo homem clássico do séc. XVI e pelo barroco do séc. XVII; traduzida e admirada pelos homens do jansenismo e do iluminismo; por românticos, racionalistas, psicólogos e pedagogos do séc. passado e do nosso. Os seus escritos falam da sua experiência e vivência religiosa, introduzindo a quem a lê num nível de profundidade e intimidade invulgares... estabelecendo um diálogo cruzado com quem a lê. Dir-se-ia que os seus escritos não são páginas de livros, mas apelos de conversão; nem tão pouco escritos doutrinais, de teoria...  Sendo ela uma pessoa totalmente comprometida com Deus, fala do que vive! E fala para quem se julgar capaz de viver algo dessa aventura de encontro com Ele. 

        

          

(página em construção)

Do corpus literário que nos deixou, distinguem-se três grandes obras que constituem um tríptico harmónico: VIDA, CAMINHO DE PERFEIÇÃO, MORADAS ou CASTELO INTERIOR.

Ao lado deste tríptico doutrinal, merece ser colocado um quarto livro: o livro das FUNDAÇÕES. É  a sua última obra, escrita uns meses apenas antes de morrer...